O núcleo de pesquisa de teatro lambe-lambe “Teatro de Caixeiros” nasceu em 2012 como um centro de estudos, pesquisas e difusão do teatro lambe-lambe na cidade de Ribeirão Preto e região, apoiado e incentivado pela Cia. A DitaCuja, orientados pela Cia Andante, grupo de teatro lambe-lambe de Itajaí/SC. Tem como objetivo a pesquisa dessa linguagem genuinamente brasileira de teatro de animação, e integra-se a uma rede de grupos que atua na difusão do Teatro Lambe-lambe em toda a América latina.

A partir de estudos e pesquisas sobre o universo da manipulação de bonecos em miniatura, o grupo tornou-se pioneiro do Teatro Lambe-lambe na região de Ribeirão Preto e estreou sua primeira intervenção dentro desta estética, “Viajantes”, um conjunto de histórias compostos com uma intervenção visual que apresenta o universo do em miniatura em praças, feiras e parques, além da realização de oficinas de Teatro Lambe-lambe na cidade de Ribeirão Preto.

Outros caixeiros se aproximaram, vindos das oficinas ministradas pelo núcleo, e hoje o coletivo Teatro de Caixeiros é formado pelos atores manipuladores Flávio Racy, Michelle Maria, Mariana Cazula, Cesar Mazari, Kerem Apuk, Ton Pereira e Marcos Melo.

Além da intervenção “Viajantes”, outros dois trabalhos estão em processo de criação para compor o repertório do coletivo: “Relicário”, uma intervenção de caixas integradas de Flávio Racy e Michelle Maria e a “Feira de Teatro Lambe-lambe” que reúne caixas dos sete integrantes do coletivo.

 

REPERTORIO

Viajantes

Relicário (em processo)

Feira Lambe-lambe (em processo)

 

A LINGUAGEM DO TEATRO LAMBE-LAMBE

O teatro lambe-lambe, estética genuinamente brasileira, é uma linguagem de formas animadas que ocupa um espaço cênico formado por um palco em escalas reduzidas confinado em uma caixa de dimensões mínimas. Nesse espaço são apresentadas peças teatrais de curtíssima duração através da manipulação de formas animadas em miniatura. Essa linguagem aparece no Brasil na década de 80 na cidade de Salvador, foi criada pelas bonequeiras Ismine Lima e Denise di Santos e inspirada nas antigas caixas de fotografia lambe-lambe.

Trata-se, portanto, de uma caixa-teatro individual, com uma estrutura técnica em miniatura e independente, configurada para atender um espectador por vez – por um dos lados o manipulador encena o espetáculo e pelo outro o espectador assiste. Totalmente isolada da luz e sons externos, pois o manipulador e o espectador possuem a cabeça coberta por um pano e ouvidos protegidos por fones de ouvido que transmitem a sonoplastia do espetáculo.

O Teatro Lambe-lambe, enquanto manifestação artística, é um universo em plena efervescência e apresenta singularidades por expor o ato cênico concentrando a beleza poética num espaço e tempo mínimos.  Uma de suas criadoras, Ismine Lima, define o Teatro Lambe-Lambe como “um espaço para o olhar”. A grande proximidade entre o rosto do manipulador e o rosto do espectador dentro da caixa promove uma relação de grande proximidade entre estes dois indivíduos, uma proximidade que nenhum outro tipo de espetáculo permite. Prestar atenção aos olhos de quem assiste permite que o ator manipulador possa de acordo com a recepção do espetáculo, dosar sua energia e administrar as ações de forma a tornar cada apresentação realmente única.

E por ser uma estética relativamente nova e uma proposta diferenciada de execução do ato cênico, o teatro lambe-lambe passa por um processo de amadurecimento e difusão para o público, promovido pelos grupos que estão desenvolvendo essa estética, espalhados por estados brasileiros e por alguns países da América latina. É neste sentido que caminha o Teatro de Caixeiros, comprometido com a tarefa de não apenas pesquisar e contribuir para o aperfeiçoamento desta técnica ainda em construção, mas também, promover a popularização e o fortalecimento do Teatro Lambe-lambe como ferramenta artística que deve ser acessada pelo público em geral.