Nossa história contada passo a passo.
Entre os dias 21 de março e 26 de abril, praças e espaços públicos de diversas cidades do estado de São Paulo se transformaram em grandes pontos de encontro com a arte. Em sua 18ª edição, o Circuito Sesc de Artes 2026 reuniu mais de 90 atividades culturais gratuitas, ocupando 133 municípios com uma programação diversa que incluiu teatro, música, dança, circo, literatura, cinema, artes visuais e tecnologias.
Realizado pelo Sesc São Paulo em parceria com prefeituras municipais e sindicatos do comércio, o projeto tem como proposta ampliar o acesso à cultura, especialmente em cidades que não possuem unidades fixas do Sesc, promovendo o encontro entre artistas e públicos diversos.
E foi nesse contexto que a Cia A DitaCuja integrou o Roteiro 2 do Circuito com a intervenção caipira de Teatro Lambe-Lambe “Nós da Terra”, levando sua poética para 12 cidades ao longo de seis finais de semana consecutivos: Brotas, Santa Cruz da Conceição, Ituverava, Pedregulho, Taquaritinga, Tabatinga, Jaboticabal, Sertãozinho, Boa Esperança do Sul, Matão, Porto Ferreira e São José do Rio Pardo.
“Nós da Terra” é um mergulho na existência caipira do interior paulista, um olhar que atravessa passado e presente, refletindo sobre os modos de vida, as transformações e os caminhos possíveis para o futuro dos nossos territórios.
A intervenção é composta por cinco espetáculos de Teatro Lambe-Lambe, linguagem cênica intimista criada no Brasil há mais de 35 anos, em que pequenas casas de espetáculo abrigam histórias apresentadas para um espectador por vez. Dentro dessas miniaturas, bonecos e objetos ganham vida em narrativas curtas, carregadas de detalhes e significados, criando uma experiência única e sensível.
No Circuito, o conjunto dessas pequenas casas formava um vilarejo em festa: um espaço de encontro, com direito a café e prosa, onde o público era convidado a desacelerar, observar e se reconhecer nas histórias contadas ali.
Para Flavio Racy, co-fundador da companhia, a participação no Circuito também marca um momento importante na trajetória do grupo:
“A Cia A DitaCuja já está perto de completar vinte anos de estrada e poder integrar novamente um projeto como o Circuito Sesc de Artes, que envolve tantas cidades, que reúne tantos artistas incríveis e que se encontra com tantos públicos diversos, é uma forma de celebrar essa trajetória.”
A dimensão itinerante do Circuito amplia não só o alcance, mas também as possibilidades de encontro. Em meio a uma programação plural, o Teatro Lambe-Lambe encontra novos olhares, muitas vezes de quem tem ali seu primeiro contato com essa linguagem.
A atriz Tânia Alonso destaca esse aspecto como um dos pontos mais potentes da experiência:
“Levar o Teatro Lambe-Lambe em meio a tantos eventos culturais é incrível porque abraça um público ainda mais diverso. Muitas pessoas chegam por outras atividades, não conhecem essa linguagem, mas se aproximam, assistem, se encantam e passam a consumir esse tipo de teatro. Isso também nos desenvolve como artistas, porque o projeto cresce em contato com outras linguagens e experiências.”
Ao longo dos seis finais de semana, o Roteiro 2 do Circuito Sesc reuniu diferentes grupos e linguagens artísticas, criando uma rede de troca, convivência e fortalecimento coletivo. Foram tardes inteiras de programação, das 16h às 20h, ocupando praças com arte, encontros e partilhas.
A Cia A DitaCuja agradece às unidades do Sesc que acolheram e acompanharam esse percurso, fortalecendo ainda mais essa rede de circulação e encontro: Sesc São Carlos, Sesc Franca, Sesc Araraquara e Sesc Ribeirão Preto; às companhias e artistas parceiras do Roteiro 2 (Trupe Baião De Dois, Banda Quimbará, Cia Bambuzal, Cia Obazaza, Aquabienta e DJ Mari Martins), e a toda a equipe que torna o Circuito possível: equipes de produção, manutenção, cozinha e técnicos que estiveram conosco ao longo desses dias.
Para a Cia, essa experiência reafirma um modo de fazer baseado na presença, na escuta e no compromisso com o território e com as pessoas.
Entre cidades, encontros e histórias, “Nós da Terra” seguiu seu caminho, plantando pequenas sementes de memória, identidade e pertencimento, reafirmando que o fazer artístico também é um gesto de encontro.